30 de mai. de 2008

/NOTÍCIAS/ Funcultura financiará turismo no interior

Foto: Rota do Cangaço. Portal Pernambuco conhece Pernambuco

Fundarpe apresenta fundo estadual a produtores de 17 municípios do Sertão do Pajeú, que poderão criar projetos relativos à cultura para incentivar roteiros pelos atrativos da região


Mola propulsora do turismo, a cultura estará em foco amanhã no Sertão do Pajeú. Durante todo o dia, 17 municípios do Sertão pernambucano estarão reunidos em Triunfo, para discutir a implantação de um plano regional de cultura.

As idéias devem servir de base para o desenvolvimento de um plano pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), em parceria com a sociedade civil e as prefeituras.

“O fórum será uma oportunidade de fortalecer as manifestações artísticas dos municípios da região, através da discussão e intercâmbio de experiências”, afirmou a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo. Durante o dia, serão ouvidos representantes de diversos segmentos, uma boa oportunidade para o público interiorano carente de informa de informações na área. A própria Luciana Azevedo explicará os mecanismos de funcionamento do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), que este ano destinará R$ 12 milhões para a execução de projetos culturais independentes.

Turisticamente, portanto, produtores poderão criar projetos relativos à cultura que, ao final, incentivem a visitação às cidades do Sertão.

O fórum de cultura acontecerá, das 8h às 18h de amanhã, no Centro Educacional Stella Maris Sítio Horta, nº 50, no Centro. O acesso é livre.

Neste fim de semana, também, Triunfo recebe o evento de lançamento da Rota do Cangaço dentro do programa estadual Pernambuco conhece Pernambuco, para estimular o turismo interno.

A rota faz parte também do Programa de Regionalização – Roteiros do Brasil, coordenado pelo Ministério do Turismo. Entre os municípios incluídos, estão Triunfo, Santa Cruz da Baixa Verde, Serra Talhada, Afogados da Ingazeira, São José do Belmonte e São José do Egito.

No primeiro tour, agentes do Recife e de outras cidades irão até Serra Talhada visitar os pontos onde se refugiavam Lampião e seu bando. No lugar, ainda é possível encontrar vaqueiros encouraçados pegando boi na caatinga. As atrações incluem degustação do bode-no-buraco, iguaria local, forró pé-de-serra e rapel nas montanhas. A idéia é sensibilizar agentes e operadores de turismo para levar visitantes à região.

Fonte: Jornal do Commercio - Caderno de Turismo

29 de mai. de 2008

/NOTÍCIAS/ O Fuçador lança terceira edição

Projeto municipal que incentiva universitários dos cursos de turismo a redescobrir o Recife, O Fuçador terá sua terceira edição lançada hoje, com uma festa no centenário Clube das Pás, no bairro de Campo Grande. O evento é dedicado ao trade turístico, estudantes, instituições de ensino, parceiros. Os ingressos foram distribuídos em blitze realizadas nas faculdades de turismo da cidade.
A idéia é que universitários criem projetos de revalorização turística de endereços, equipamentos ou rotas do Recife. A partir do lançamento, os alunos terão até setembro para realizar as pesquisas. O Salão de Turismo do Recife, onde os projetos serão apresentados, está marcado para o período de 24 a 27 de setembro. O tema é Novos produtos turísticos para o Recife.

“A idéia é que sejam propostas criações de projetos viáveis, simples e criativos para a capital pernambucana”, diz Karina Bentes, diretora de Planejamento da Secretaria de Turismo do Recife e coordenadora técnica de O Fuçador.

A escolha do Clube das Pás como sede do lançamento não é gratuita. O lugar foi tema do projeto vencedor da última edição, elaborado por estudantes da Faculdade Frassinete do Recife (Fafire). “O projeto previa melhoria física e requalificação turística do clube”, diz ela.


Com uma verba já rubricada de cerca de R$ 70 mil, o Clube das Pás Lenhadores deve receber obras de melhoria e, desde o Carnaval, vem sendo palco, às sextas-feiras, a partir das 19h, de apresentações de manifestações culturais da cidade, como maracatus e caboclinhos. As apresentações começam às 19h e custam R$ 3. Depois, o clube segue sua programação tradicional.

Outro projeto premiado na última edição chama-se Do mar às esculturas, elaborado por alunos da Faculdade Santa Helena. Visa a requalificação dos barcos e barqueiros que fazem a travessia do Marco Zero para o Parque de Esculturas, no Recife Antigo. “Em junho, começamos os trabalhos”, diz a diretora. A verba disponível é de R$ 25 mil, para nove barcos. O terceiro a sofrer intervenções, ainda sem data, é o Clube Bela Vista, conhecido como A cubana.


Fonte: Jornal do Commercio

27 de mai. de 2008

/ENTREVISTA/ Helena Diu, FSH Carreiras.

Formada em Psicologia com pós-graduação em Organização do Trabalho, Helena Diu assume a coordenação do FSH Carreiras com a missão de auxiliar o desenvolvimento das habilidades comportamentais dos alunos para que tenham êxito na vida profissional. Em entrevista ao BlogNews, ela fala mais um pouco sobre essa nova experiência.


Qual a sua atividade antes de chega à Faculdade Santa Helena?
Helena Diu: Como psicóloga, trabalhava há um ano e meio com consultorias na área de organização. À frente do FSH Carreiras, vou ter a oportunidade de me aproximar do meio acadêmico, sobretudo dos alunos.

Quais as expectativas em relação ao FSH Carreiras?
Helena Diu: É uma iniciativa que tem tudo para dar certo. A prova disso foi o sucesso após o primeiro encontro com as consultorias e empresas de Recursos Humanos. O encontro aconteceu pela manhã e à tarde tínhamos empresas cadastradas em nosso site. Estamos no início, mas já respondendo positivamente a todas as expectativas.

Como está sendo o seu trabalho no FSH Carreiras com os alunos?
Helena Diu: A nossa relação é bastante aberta, com linguagens próximas. Acho que pelo fato de sermos praticamente da mesma faixa etária, faz com que os alunos se sintam mais à vontade. Na verdade é uma relação de troca. Eu tenho a experiência e eles a carência de informação.

E o futuro? Quais serão os próximos passos do FSH Carreiras? Helena Diu: Após o lançamento oficial para o mercado, vamos inicia as oficinas de capacitação. Pretendemos ainda oferecer minicursos uma vez por mês, voltados para os funcionários das empresas conveniadas que são nossos alunos. O principal objetivo desta etapa é que os encontros abordem temas do cotidiano profissional e possam melhorar o desempenho deles no trabalho. Também há a pretensão de abrir oficinas aos sábados, já que tem havido bastante procura.

/NOTÍCIA/ Turistas querem visitar Estado mais de uma vez

Em levantamento realizado pela Empetur na Semana Santa, 80% dos 805 turistas entrevistados disseram que pretendem voltar a Pernambuco. Estada foi avaliada por 87% como boa ou ótima

Mais de 80% dos turistas que visitam Pernambuco têm intenção de retornar. Esse é o principal dado constatado pela pesquisa para identificação do perfil socioeconômico do turista no Estado, realizada pela Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur).

Durante o período da Semana Santa, de 22 a 24 de março, 853 questionários foram aplicados nos principais portões de entrada e saída estaduais: o Aeroporto do Recife, o Terminal Integrado de Passageiro (TIP), a Rodoviária de Caruaru e pontos de rodovias locais. A pesquisa constatou também que 87% dos visitantes avaliaram a estada como boa ou ótima.

Dos visitantes, 93% são brasileiros. Desses, 28% são pernambucanos fazendo turismo interno. “Queremos estimular o pernambucano a viajar cada vez mais pelas localidades do próprio Estado”, disse o secretário de Turismo de Pernambuco, Sílvio Costa Filho, ao apresentar a pesquisa em Caruaru, no último fim de semana, durante o lançamento da Rota Luiz Gonzaga, que estimulará o turismo nos municípios do Agreste, ação prevista pelo programa Pernambuco conhece Pernambuco.

Os Estados que mais enviam turistas para destinos pernambucanos são Alagoas, Paraíba e São Paulo, cada um com 10% de participação no total de visitantes. Em seguida, estão Bahia (10%), Rio Grande do Norte (9%), Ceará (7%) e Rio de Janeiro (4%), Sergipe e Minas Gerais (ambos com 3%).

Do total de visitantes, 7% são estrangeiros. Os portugueses e argentinos participam da estatística com 45% e 25%, respectivamente. A Alemanha vem em seguida (9%).

A maior parte dos visitantes (28%) está na faixa etária entre 21 e 30 anos – a média de idade, levando em conta todos os turistas incluídos na pesquisa, é 27 anos. Quase 60% viajam com amigos ou em grupos de excursões. Entre os brasileiros, contudo, cerca de 40% viajam sozinhos. “Isso mostra a importância de investir em roteiros com atrações também para os jovens”, avalia o secretário.

Durante a Semana Santa, mais da metade dos viajantes ficaram hospedados no Recife. A cidade de Caruaru recebeu 12,7% dos turistas, e Ipojuca (onde está a Praia de Porto de Galinhas), 10,7%. Gravatá é o quarto mais visitado, com 3% da procura.

Fonte: Jornal do Commercio – Caderno de Turismo

26 de mai. de 2008

/NOTÍCIA/ FSH lança jornal institucional


Fique por dentro de tudo que acontece na Faculdade Santa Helena. A partir desse mês, a FSH vai disponibilizar no site da instituição o jornal institucional.

A edição de Abril/Maio está no ar com muitas novidades e notícias. O tema principal é o lançamento dos projetos FSH Carreiras e FSH Pesquisa.

Além disso, tem uma matéria sobre o novo site da faculdade, detalhando como foi a criação do layout e a concepção da home. Você pode conferir também o editorial do diretor-presidente da FSH, Marcelo Pimentel.

Para acessar as informações, basta fazer o download do arquivo. Boa leitura!

20 de mai. de 2008

/NOTÍCIA/ Segunda edição do Q.I 2008.2 lançada com palestra

Luiz Carlos Silva Costa, palestrante convidado para ministrar a palestra
“Marketing e Comunicação: ferramentas para multiplicar negócios”

Inclusão das turmas de 8º período no Q.I 2008.2, além de pontos acumulativos para a troca de produtos, foram algumas das novidades do programa apresentadas no último sábado (17/05), na sede da FSH. Alunos participantes da primeira edição do Q.I, realizado no primeiro semestre deste ano, compareceram ao evento de lançamento da versão 2008.2, para conhecer as novas ações e o novo layout da campanha e assistir à palestra do publicitário Luiz Carlos Silva Costa.

Agora, as indicações feitas por alunos do 8º período da faculdade são transformadas em dinheiro para ajudar a turma no pagamento da formatura. A cada dez novos estudantes indicados, a turma ganhará 50% do valor da mensalidade para utilizar nos eventos de conclusão do curso. Nesta nova versão do Q.I quem indicar menos amigos também será bonificado. Cada indicação valerá um ponto, que será acumulado e poderá ser trocado por produtos com a marca da faculdade na lojinha, com inauguração prevista para até o final deste ano.

O encontro foi aberto pelo diretor-presidente da FSH, Marcelo Pimentel, que lembrou a importância do investimento na vida acadêmica. Em seguida, o diretor apresentou o publicitário Luiz Carlos Silva Costa, palestrante convidado para ministrar a palestra “Marketing e Comunicação: ferramentas para multiplicar negócios”.

De uma maneira bastante descontraída, interagindo constantemente com os estudantes, Luiz Carlos falou de fatores como: postura, pontualidade, flexibilidade e comprometimento, importantes para o sucesso de qualquer profissional. Também mostrou exemplos de empresas que ganharam e perderam oportunidades de negócios, evidenciando seus acertos e erros. Surpreendendo a todos, no final da palestra, o publicitário premiou o público com exemplares de seu livro “Marketing de Relacionamento - Histórias e Conquistas”. Cada um dos presentes recebeu um exemplar do livro, devidamente autografado pelo autor.

Sobre o palestrante - Luiz Carlos Silva Costa é graduado em Administração de Empresas e Marketing, no Rio de Janeiro, e pós-graduado em Marketing, em Pernambuco. Participou de conferências e exercícios com os professores Pierre Weill e Roland Tompakow, autores do clássico “O Corpo Fala”. Palestrante e conferencista na área de marketing e comunicação. Trabalhou no Banco Banorte durante 23 anos. Fundou a Gravatahy Publicidade. Foi executivo da Ampla e do Gruponove. Participou do projeto de criação da Folha de Pernambuco. Criou, com a MCI, o projeto da Faixa de Pedestres, para o Detran e o projeto de endomarketing para a Secretaria de Finanças de Pernambuco. Como consultor de marketing atende a diversas empresas locais como Vinhos Botticelli, (há mais de 8 anos), Santa Clara Planos de Saúde (há mais de 6 anos), SINAPRO e SEPEX. Exerce ainda o cargo de Diretor de Marketing da ADVB-PE. Autor do livro autobiográfico Marketing de Relacionamento: Histórias e Conquistas.

19 de mai. de 2008

/NOTÍCIAS/ O planeta tem pressa. Parte 2

FONTES ALTERNATIVAS
Energia eólica e o biodiesel: em busca da redução das emissões de CO2


Conseqüências


20 O ritmo de crescimento da temperatura dá sinais de estar arrefecendo? Não. Tudo indica que ele está sendo mantido e continuará assim.

21 Por que acreditar que esse ritmo será mantido? O aquecimento que se observa hoje é uma soma das ações do passado com as ações presentes. Não há, a médio prazo, nenhuma alternativa energética com potencial de substituir os combustíveis fósseis em larga escala. Para mudar radicalmente as emissões, seriam necessárias intervenções muito profundas, que dificilmente seriam feitas de uma hora para outra. O ritmo de implementação das ações previstas no Tratado de Kioto – principal instrumento dos países e das organizações multilaterais para a redução das emissões de gases do efeito estufa – está sendo mais lento do que se esperava. O tratado é até agora um fracasso. Os países não-signatários de Kioto aumentaram suas emissões em ritmo menor do que os que assinaram o documento.

22 Até que temperatura a vida na Terra é viável? A experiência em regiões desérticas e tropicais mostra que a vida humana em sociedade é possível à temperatura constante de 45 graus. Isso não significa que a vida seria tolerável se todo o planeta atingisse esse pico de temperatura. O desarranjo obrigaria a humanidade a buscar novas estratégias de sobrevivência. Por outro lado, nem o mais pessimista dos cientistas acredita que o aquecimento global ofereceria risco de sobrevivência para toda a raça humana.

23 Há o risco de morrer gente? Sim. Muitos cientistas acreditam que a onda de calor que matou mais de 30 000 pessoas na Europa durante o verão de 2003 já seja reflexo do aquecimento global. Se essas ondas se tornarem mais freqüentes, farão mais vítimas, principalmente entre os mais pobres (que não têm alternativas de proteção) e os mais indefesos, caso de crianças e idosos.

24 Quais as conseqüências previsíveis para o Brasil? A mais grave seria a mudança de vegetação em metade da Amazônia, que se tornaria uma espécie de savana ou cerrado, já a partir de 2050. Isso porque a temperatura na região subiria pelo menos 3 graus. Com a temperatura média do país, que hoje é de 25 graus, passando aos 29 graus, milhares de famílias teriam de deixar o sertão nordestino em busca de regiões de clima mais ameno. O nível do mar também subiria nas cidades litorâneas, como Recife e Rio de Janeiro.

25 Há risco de aumento de doenças como malária, febre amarela ou dengue, por exemplo? Esse é um ponto controverso. Os que discordam são em número muito maior do que os que concordam. A exceção são aquelas doenças em que a relação é direta, caso da dengue, cujo mosquito transmissor se reproduz em maior escala no calor.

26 As geleiras vão derreter completamente? Não vão. A previsão mais pessimista indica que 2% de todas as geleiras derreterão até 2100. Esse derretimento é que levará ao aumento de 1,2 metro no nível do mar.

27 Quais os riscos de faltar água? A água potável vai acabar? Os rios vão secar? É possível dizer também que o sertão nordestino vai se desertificar? A disponibilidade hídrica do planeta não mudará. A distribuição das chuvas pelo globo é que será alterada. Aumentará a disponibilidade de água em alguns lugares, principalmente nas latitudes médias e nas regiões tropicais úmidas. Quanto às regiões equatoriais, existe muita incerteza. Mas pode-se dizer que haverá mais seca nas regiões áridas e semi-áridas. O fim da água potável pode ocorrer, mas não somente por causa do aquecimento. Está relacionado também à poluição provocada pelo homem e ao aumento de demanda por água, principalmente para a agricultura irrigada.

28 Que outros impactos poderiam ocorrer no dia-a-dia das pessoas? As chuvas seriam muito mais intensas, e isso afetaria todas as regiões. Espera-se que haja um maior número de noites quentes e ondas de calor, mas também invernos mais rigorosos. A temperatura variaria em extremos. Se for mantido o atual ritmo de emissões – e levando-se em conta as projeções de crescimento econômico, populacional etc. –, haverá elevação do nível do mar, redução de florestas, enchentes nas regiões mais úmidas, secas mais severas nas regiões de clima árido e semi-árido.

29 A disponibilidade de alimentos estará comprometida? Depende do aumento da temperatura. Se a elevação for de 2 graus (no máximo), poderá haver aumento da área plantada, incorporando-se vastas áreas do Canadá e da Sibéria à produção mundial. Se a temperatura subir além disso, 4 graus ou mais, toda a agricultura mundial será prejudicada. Outro problema é a mudança das chuvas, que pode provocar secas mais severas na África e no sul da Ásia.

30 Pode-se esperar que o aquecimento inviabilize a vida em algumas regiões do planeta, provocando migrações populacionais em massa? Mais uma vez depende de quanto a temperatura vai aumentar. No pior cenário, haverá migração em massa de populações pobres, da ordem de dezenas de milhões de pessoas, em razão da falta de água para beber e para a agricultura. No sudeste da Ásia também podem ocorrer fugas em massa, mas por causa de inundações.

31 A elevação do nível do mar poderá engolir partes inteiras do litoral dos países? Caso se confirme a elevação do nível da água do mar entre 30 e 60 centímetros, os efeitos serão reduzidos. Mas a aceleração do degelo na Groenlândia e na Antártica Ocidental obrigou os cientistas a rever suas previsões. Um exemplo: a Holanda tem mais de 40% de seu território abaixo do nível do mar. Se a elevação da água for pequena, será possível contornar o problema com a construção de diques. Mas, se chegar ao limite máximo imaginado pelos cientistas, o país poderá perder uma parte enorme de seu território. Durante o século XX, o aumento do nível do mar na costa brasileira foi de 20 centímetros. A média global foi de 17 centímetros.

32 O aquecimento global será a principal causa de extinção de espécies? Sim. Já neste século e no próximo, o aquecimento vai superar os dois grandes vilões atuais, que são a caça predatória e a fragmentação de hábitats.

33 Já há alguma espécie ameaçada por esse motivo? Pelo menos 74 espécies de sapo desapareceram nas montanhas da América Central devido ao aumento de 1 grau na temperatura média. Isso mudou o microclima e fez com que um fungo da pele dos sapos se desenvolvesse descontroladamente. Os anfíbios de todo o planeta também correm perigo.

34 Pode-se esperar algum benefício do aquecimento ou apenas tragédia? Os impactos são principalmente negativos, pois perturbam um sistema já equilibrado. Mas há alguns positivos, sim, como o incremento à agricultura em lugares hoje muito frios e a diminuição, na média mundial, na freqüência de noites muito frias, o que trará benefícios à saúde humana.


Soluções


35 O mundo não tem problemas que exigem enfrentamento mais urgente do que o aquecimento global? A fome, a falta d’água e as doenças matam mais gente hoje. Mas o mundo não pode se dar ao luxo de ignorar o aquecimento global. Isso porque, além de efeitos desastrosos, tudo o que se fizer agora só terá resultado décadas à frente. Além disso, para muitos dos problemas atuais há soluções tecnológicas iminentes. O buraco na camada de ozônio é um exemplo. Ele se fechará num futuro próximo, graças a ações já empreendidas. No caso do aquecimento, se o mundo parar de emitir gases de efeito estufa hoje, o problema ainda levará séculos para ser resolvido. Alguns limites já foram até ultrapassados. O melhor exemplo é o gelo ártico. Em 2050, ele poderá desaparecer totalmente durante o verão. Não há mais o que fazer. Não se pode esperar mais cinco ou dez anos para começar a agir vigorosamente.

36 Quanto será necessário investir na suavização dos efeitos da mudança climática? Num primeiro cálculo, estimou-se que seriam necessários 150 bilhões de dólares anuais para cumprir as metas do Protocolo de Kioto. Mas é possível que a conta seja menor, dados o avanço tecnológico e os ganhos em eficiência energética. Um exemplo são os combustíveis fósseis, os que mais emitem gases do efeito estufa. Já existem hoje tecnologias capazes de reduzir em 20% as emissões. Há outros exemplos mais simples. Os sistemas de iluminação com LED, diodos de efeito luminoso, têm eficiência quase vinte vezes superior à das lâmpadas de bulbo.

37 É possível reverter totalmente o aquecimento? Não. O máximo que se pode fazer é reduzir o ritmo. Caso se reduzam as emissões globais entre 60% e 70% até 2050, a temperatura subirá até o fim do século entre 2 e 2,5 graus. Se não se fizer nada, ela poderá aumentar entre 4 e 5 graus no mesmo período, com efeitos desastrosos.

38 Reduzir a emissão de gases do efeito estufa, como o CO2, é mesmo o melhor caminho? O que importa é a concentração "líquida", ou seja, a diferença entre o que é emitido e o que é absorvido pela Terra. Ao mesmo tempo em que se reduz a emissão de gases do efeito estufa, pode-se investir no seqüestro de carbono, seja biológico (caso do aumento de área de florestas), seja geológico (armazenagem de gás carbônico no subsolo, tecnologia ainda em estudo). Há ainda o aumento da eficiência energética em relação à que se tem hoje.

39 É economicamente viável reduzir as emissões de CO2 em escala suficiente para resolver o problema? Se nada for feito, a economia mundial sofrerá um abalo descomunal. O Estudo Stern (do ex-economista-chefe do Banco Mundial Nicholas Stern) fala em perdas anuais de até 20% no PIB mundial (o conjunto de riquezas produzidas pelas nações). Em economia, o que torna possível pagar o preço de uma solução é o valor do prejuízo causado pela inação. O estudo calcula que o investimento necessário para resolver o problema chegaria a 1% do PIB.

40 Não seria mais fácil resolver o problema através do desenvolvimento tecnológico? Ainda que se obtenha um elevado grau de desenvolvimento tecnológico, vai demorar para que isso aconteça. Não há tempo para esperar sem trabalhar para reduzir as emissões.

41 Fontes de energia alternativa suprem as necessidades de redução de emissssões de CO2? Todas as fontes renováveis, juntas, não substituiriam sequer metade da quantidade do combustível fóssil usado hoje. Portanto, é preciso reduzir as emissões de CO2 em no mínimo 55% até 2050. O papel das fontes de energia alternativas é auxiliar nesse esforço, assim como na busca de eficiência energética.

42 Não seria mais fácil aceitar que as mudanças climáticas são inevitáveis e investir em formas de conviver com elas? Buscar formas de adaptação será necessário de qualquer jeito. A diferença está no grau de intervenção que será necessário. Dependerá da extensão das mudanças climáticas.

43 Atitudes individuais, como economizar papel e água, por exemplo, surtem algum efeito? Somente com atitudes individuais se poderá promover uma mudança no perfil do consumo, com impacto ambiental significativo. O planeta tem de buscar a máxima reciclagem dos produtos e torná-los mais duradouros. E isso deve ocorrer paralelamente às mudanças em grande escala, como a substituição de fontes de energia e a otimização no uso dos transportes.

44 O que é de responsabilidade dos países e o que compete exclusivamente aos cidadãos? Devido à urgência, são os governos que devem começar a fazer sua parte primeiro.

45 É possível esperar que a humanidade consiga se adaptar plenamente, seja qual for a intensidade da mudança climática? Dependendo da elevação da temperatura, torna-se impossível a adaptação, em razão da falta de água para beber e para a agricultura. Mas é preciso dizer que as mudanças não afetarão a humanidade de forma igual. Quem mora na Sibéria, por exemplo, se beneficiará. Para os países pobres da África, Ásia e América Latina, no entanto, elas serão prejudiciais, com o risco de migrações em massa.

46 O controle de emissões de gás carbônico conforme estabelecido no Tratado de Kioto terá algum resultado prático? O único efeito prático do tratado foi deslanchar um vigoroso esforço mundial para o desenvolvimento de tecnologias alternativas. O esforço conjunto dos países é o único caminho.

47 Por que os Estados Unidos não querem assiná-lo? O principal argumento é o impacto negativo na competitividade da economia americana. É grande a influência da indústria automobilística e do petróleo sobre as decisões do governo americano. Para escapar das pressões internacionais, o governo daquele país resolveu investir bilhões de dólares na busca de tecnologias mais limpas e tem conseguido melhores resultados do que os dos signatários do protocolo.

48 O que governos e organismos internacionais já estão fazendo de concreto? Alguns países, como Inglaterra e Alemanha, estão tão avançados na redução das emissões e na busca de novas tecnologias que deverão alcançar, já no próximo ano, as metas definidas para 2012. A União Européia começou a se impor novas metas, mais arrojadas, para 2020.

49 As medidas compensatórias, como o mercado de créditos de carbono, terão resultados globais expressivos? O resultado ainda é pequeno, pois o mercado de carbono funciona como compensação. Ou seja, o que se planta de novas árvores no Brasil apenas compensa o CO2 emitido por outro país. Ele não vai além, promovendo uma redução líquida. Conclusão: é bem-vindo, mas insuficiente.

50 Há tempo para evitar o desastre? Há tempo de evitar as conseqüências mais negativas, mas não todas. A Terra já está se aquecendo. O objetivo viável é evitar que se aqueça catastroficamente.


Entre os especialistas consultados por VEJA na elaboração deste questionário destacam-se alguns dos integrantes do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática.
São eles os cientistas Carlos Nobre, José Marengo, Roberto Schaeffer e Suzana Kahn Ribeiro, que colaboraram na revisão das respostas.

16 de mai. de 2008

/NOTÍCIAS/ O planeta tem pressa. Parte 1

A ERA DO DEGELO - Foto: Jim Elliott/AFP
Gigantescos blocos de gelo se desprendem da plataforma Wilkins, na Antártica: o efeito mais visível do aquecimento global


Ronaldo França e Ronaldo Soares
Revista Veja – Edição: 2059 – Ano 41 – nº 18
7 de maio de 2008 - Páginas – 94 a 108

Até mesmo os mais incrédulos já concordam: a temperatura da Terra está subindo e a maior parte do problema é provocada por ações do homem, como a queima de combustíveis fósseis. Ainda persistem divergências acerca do tamanho do impacto sobre a vida humana. As soluções também são controversas. VEJA listou 50 perguntas e respostas que vão ao centro da questão.O conjunto demonstra que é preciso agir agora.


Previsões

1
Existe alguma dúvida científica incontestável de que o planeta está se aquecendo? Não. Nem os cientistas mais céticos colocam esse fato em dúvida. Nos últimos 100 anos, a temperatura média mundial subiu 0,75 grau Celsius. Também não existe contestação séria ao fato de que isso vem ocorrendo em um ritmo muito elevado. Entre 1910 e 1940 (portanto, em trinta anos), a temperatura média do planeta se elevou 0,35 grau. Entre 1970 e hoje (38 anos), subiu 0,55 grau. Nos últimos doze anos o planeta experimentou onze recordes consecutivos de altas temperaturas.

2 Além das medições, existem outras evidências irrefutáveis do aquecimento? O derretimento do gelo especialmente na calota norte, o Ártico, que vem perdendo área a cada verão, é uma forte evidência. Na calota sul, a Antártica, as perdas são menores e há até aumento da massa total de gelo mesmo com diminuição da área. Paradoxo? Não. Esse aumento é atribuído ao aquecimento global, que elevou a umidade na região, em geral mais seca do que o Deserto do Saara. Com mais chuvas, forma-se mais gelo.

3 Os cientistas dispõem de instrumentos confiáveis para avaliar as mudanças climáticas? Os sinais do aquecimento global não são produto de modelos de computador, mas de medições por instrumentos precisos. Entre as mais concretas estão as medições feitas por satélites e por sondas flutuantes nos oceanos, que fornecem dados em tempo real, segundo a segundo. São consideradas também as medições menos diretas, como a que detecta a espessura e a extensão do chamado "permafrost", o terreno eternamente congelado no Círculo Polar Ártico. Até as flutuações de cores nas auroras boreais fornecem dados sobre a temperatura da Terra. O interessante é que todas as medições, diretas e indiretas, apontam para o aquecimento, sem discrepâncias.

4 A temperatura da Terra tem ciclos naturais de aquecimento e resfriamento. Por que o aquecimento verificado agora não é natural? Há menos de quarenta anos, na década de 70, alguns cientistas chegaram a prever que o planeta estava entrando em uma nova era glacial, tamanha a agressividade dos invernos no Hemisfério Norte. Essa previsão não pode ser comparada à previsão de aquecimento de agora. Nunca houve consenso sobre a iminência de uma nova era glacial, tratava-se de pura especulação. Agora existe um consenso mundial entre os cientistas de todas as tendências de que o planeta está se aquecendo. Menos consensual, mas majoritária, é a noção de que o aquecimento é causado pelo atual estágio civilizatório humano, em especial as atividades industrial e de consumo.

5 Por quais períodos de aquecimento a Terra já passou? Nos últimos 650 000 anos foram identificados pelo menos quatro. O primeiro há 410 000 anos, o segundo há 320 000, o terceiro há 220.000 e o quarto há 110 000. Em todos esses casos, mesmo sem intervenção humana, houve aumento da concentração de gases que capturam o calor e acentuam o chamado efeito estufa. A fonte mais provável desses gases foram as grandes erupções vulcânicas.

6 Se a meteorologia não consegue afirmar com 100% de certeza se vai fazer sol no fim de semana, como ela pode prever o que vai acontecer daqui a cinqüenta ou 100 anos? Saber se vai dar praia ou não é mesmo mais complexo do que fazer um modelo confiável de longo prazo. A modelagem climática lida com tendências e faz afirmações gerais sobre mudanças mínimas na temperatura global. Já a meteorologia imediata trabalha sobre o microclima e sua interação com outros eventos climáticos mais gerais. Essas interações são, por definição, caóticas.

7 As estimativas de que a temperatura média do planeta subirá até 4 graus até 2100 são confiáveis? Esse é o cenário mais pessimista projetado pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que reúne as maiores autoridades do mundo nesse ramo da pesquisa. É um cenário catastrófico, mas ele só ocorrerá, na avaliação dos cientistas, se nada for feito. A projeção mais otimista dá conta de que o aumento projetado seria de 1,8 grau. Isso exigiria um corte de até 70% nas emissões de gases até o ano 2050.

8 Em que pontos os cientistas divergem? Todos concordam que o mundo está mesmo se aquecendo. As principais divergências são sobre a extensão da influência humana e, em especial, sobre se vale a pena ainda buscar a qualquer custo a redução drástica das emissões de gases do efeito estufa. Quem discorda dessa linha sugere que todo o esforço científico e financeiro dos países seja colocado no desenvolvimento de tecnologias que permitam à civilização conviver com os efeitos de um planeta mais quente.

9 Quando o aquecimento passou a acontecer com mais intensidade? O acúmulo de gases começou com o advento da Revolução Industrial, no século XVIII. O aquecimento é diretamente proporcional à atividade industrial. Portanto, quanto mais intensa ela for, mais dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso (N2O) serão lançados na atmosfera. Os problemas começaram a se manifestar agora porque esses gases tendem a se acumular.

10 Quanto a temperatura global já subiu? Durante o século XX, a temperatura média global subiu cerca de 0,75 grau.

11 O ex-vice-presidente americano Al Gore ganhou o Oscar e o Nobel da Paz por seu filme em que mostra conseqüências trágicas do aquecimento. Todas as suas previsões estão corretas? Al Gore optou por mostrar as conseqüências esperadas para os piores cenários. Fez um filme de propaganda, e não um documentário científico. Um exemplo: ele ressalta a previsão de que o nível do mar subirá 6 metros até 2100. O IPCC falava em um aumento máximo de 60 centímetros. Gore, o catastrofista, exagerou feio. A favor dele, diga-se que as previsões têm sido recalibradas para cima. Os mesmos cientistas do IPCC consideram agora que se pode chegar a 1,2 metro de elevação do nível do mar em 2100.


Razões


12 O aquecimento global é provocado pela ação humana? Como se viu, a Terra já experimentou ciclos de aquecimento muito antes de o homem fazer sua primeira fogueira. O que parece claro, agora, é que a atividade humana está contribuindo para o aumento no ritmo da elevação da temperatura média global. Isso se dá pela emissão principalmente de CO2, o que dificulta a dissipação do calor para o espaço. Atualmente, a atividade humana produz mais CO2 do que a natureza. Antes da Revolução Industrial, as emissões de origem humana somavam 290 ppm (partes por milhão) de CO2. Agora chegam a 380 ppm. Uma das principais razões é a ineficiência energética. Para se ter uma idéia, uma única lâmpada, ao final de sua vida útil, terá consumido em eletricidade o equivalente a 250 quilos de carvão (cálculo, claro, válido para os países que geram energia elétrica com carvão mineral).

13 Por que a emissão de CO2 aumenta a temperatura? O aumento da concentração de gases cria uma barreira na atmosfera. Ela impede que o calor do sol, quando refletido pela Terra, se dissipe no espaço. O calor fica retido entre a superfície do planeta e a camada de gases. Daí o nome efeito estufa. O CO2 é o principal vilão porque sua presença é predominante. Equivale a 70% da concentração desses gases.

14 Que outros fatores podem concorrer para o aumento da concentração de gases do efeito estufa? Além da atividade humana, fatores naturais contribuem para as alterações climáticas: o processo de decomposição natural de florestas, o aumento na atividade solar e as erupções vulcânicas. Mas nenhum desses fatores produziu transformações com a velocidade que a atividade humana vem provocando.

15 Qual o principal agente da emissão de CO2? A queima de combustíveis fósseis. Ela é responsável por cerca de 80% das emissões globais desse gás, o que coloca o mundo numa espécie de sinuca de bico. Não há desenvolvimento sem consumo de energia, e a energia disponível em larga escala depende de carvão, petróleo e gás natural. A principal razão é que os combustíveis fósseis, quando queimados, emitem, em forma de gás, o carbono que ficava armazenado no subsolo. Isso aumenta a concentração na atmosfera.

16 Qual o peso do desmatamento e das queimadas nesse fenômeno? Cerca de 18% das emissões de CO2 são originadas de queimadas.

17 Qual a parcela de responsabilidade dos países emergentes no aquecimento global? Quando se analisa historicamente, a parcela de culpa desses países é pequena. A questão é como eles vão se comportar daqui em diante. Como são muito populosos e têm grande potencial de crescimento econômico, podem se tornar os grandes vilões do futuro.

18 Qual a participação do Brasil, em especial? A maior preocupação em relação ao Brasil é quanto às queimadas e aos desmatamentos. Esses dois fatores respondem por 75% das emissões de CO2 no país. Se forem consideradas apenas as emissões de CO2 decorrentes da queima de combustíveis fósseis, o Brasil é o 16º maior poluidor do mundo. Mas, se for levada em conta a devastação ambiental, o país salta para a quarta posição.

19 É razoável esperar que os países emergentes reduzam sua taxa de crescimento para não contribuir ainda mais para o aquecimento global? É uma resposta difícil. Agora que o Hemisfério Sul começou a crescer e proporcionar melhores condições de vida a sua população surge a questão da sustentabilidade – que não existia quando os atuais países ricos se industrializaram. O melhor que as nações ricas podem fazer é ajudar as emergentes a ter acesso mais rápido a tecnologias limpas.


Nas próximas postagens você terá acesso às demais perguntas e respostas, listadas pela Revista Veja. Fique ligado no blog.

/NOTÍCIA/ Museus são a pedida do domingo

O 7º Circuito Cultural de Museus contempla roteiros gratuitos e tem como meta despertar interesse de moradores e turistas pela arte

Neste domingo, quando se comemora o Dia Internacional do Museu, o Recife sedia o 7º Circuito Cultural de Museus, promovido pelo Fórum de Museus de Pernambuco e pela Secretaria de Turismo municipal. O tour, que faz parte da 6ª Semana Nacional dos Museus, contempla 11 roteiros em 23 instituições do Estado. O objetivo é despertar interesse tanto do público local como do turista.

“Quando começamos, queríamos atrair somente os moradores da capital pernambucana. Depois, percebemos que o turista estava aderindo por conta própria”, lembra a museóloga do Museu da Cidade do Recife, Gabriela Severien.

De acordo com ela, cerca de 1,5 mil pessoas deve comparecer ao evento. “Conseguimos sensibilizar a sociedade e tornar a visita ao museu mais freqüente, tanto para pesquisas escolares, como para exposições temporárias”, constata Gabriela. A museóloga observa que o público presente (nos dias normais e durante o circuito) é bem diverso, de todas as faixas etárias. “Há quem aproveite o dia do circuito, com entrada e passagem gratuitas, para fazer a visita”, complementa Gabriela.

Constam do roteiro instituições como o Museu da Cidade do Recife (MCR), o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – unidade do Pátio de São Pedro (Mamam no Pátio), a Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre, em Casa Forte, a Oficina Francisco Brennand, na Várzea, e o Espaço Ciência, em Olinda. Moradores da cidade e turistas dispostos a contemplar as obras de arte terão à disposição 21 ônibus que farão 11 circuitos culturais, com saídas dos shoppings Boa Vista, Tacaruna e Plaza, a partir das 12h30. Dependendo da opção, pode-se visitar até três museus durante o passeio.

Segundo Gabriela, outra finalidade do evento é investir na integração entre os museus. “Os profissionais trabalharão juntos no evento. Isso é muito importante”, enfatiza a museóloga. “Queremos repetir o evento outras vezes ao longo do ano”, ressalta.

Em relação às ações para atrair o turista, a organização do evento investiu em folderes (distribuídos nos aeroportos e nos museus) com conteúdo histórico, horário e endereço das instituições. O circuito cultural é gratuito – contempla a entrada nos museus e a passagem do ônibus que sai dos shoppings. As inscrições estão abertas até sábado, nos estandes dos shoppings participantes. Os roteiros têm início às 13h e a previsão de retorno é às 18h.

O QUE VER

A 6ª Semana Nacional dos Museus, apoiada pelo Instituo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mobiliza diversas instituições em Pernambuco. Entre os destaques, estão o Museu do Cangaço, em Serra Talhada, o Museu do Barro, em Caruaru, o Museu da Cultura Popular e Ex-Votos Maria das Graças, em Garanhuns, e o Museu Histórico do Brejo da Madre de Deus, na cidade homônima.

Os museus e as instituições que fazem parte do evento prepararam programações especiais para mostrar ao visitante. O Museu da Cidade do Recife, por exemplo, abriga a exposição Moda na África, que traz a história do vestuário africano como expressão cultural, através de fotografias, quadros e looks criados na África (leia mais no Caderno C). E a Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre terá à disposição dos visitantes uma feira de livros, cujas obras estarão à venda por até 50% de desconto.

Serviço
Informações sobre os museus no site www.visiteomuseu.com.br.

Redação: Carol Botelho (cbotelho@jc.com.br)
Fonte: JC Online

15 de mai. de 2008

/NOTÍCIA/ FSH lança Q.I - 2008.2

Neste sábado (17/5), a partir das 9h, a Faculdade Santa Helena (FSH) promove a palestra "Marketing e Comunicação: ferramentas para multiplicar negócios", ministrada pelo publicitário Luiz Carlos Costa.

O evento será exclusivo para todos os alunos participantes do Q.I. 2008. 1. Durante o encontro, também será lançado o programa Q.I - 2008.2. Os participantes terão direito a certificado de participação. O encontro será na sede da instituição.


Luiz Carlos Silva Costa
- Graduado em administração de empresas e marketing, no Rio de Janeiro e pós-graduado em marketing em Pernambuco. Participou de conferências e exercícios com os professores Pierre Weill e Roland Tompakow, autores do clássico “O Corpo Fala”. Palestrante e conferencista na área de marketing e comunicação. Trabalhou no Banco Banorte durante 23 anos. Fundou a Gravatahy Publicidade. Foi executivo da Ampla e do Gruponove. Participou do projeto de criação da Folha de Pernambuco. Criou, com a MCI, o projeto da Faixa de Pedestres, para o Detran e o projeto de endomarketing para a Secretaria de Finanças de Pernambuco. Como consultor de marketing atende a diversas empresas locais como Vinhos Botticelli, (há mais de 8 anos), Santa Clara Planos de Saúde (há mais de 6 anos), SINAPRO e SEPEX. Exerce ainda o cargo de Diretor de Marketing da ADVB-PE. Autor do livro autobiográfico Marketing de Relacionamento Histórias e Conquistas.

/NOTÍCIA/ Campanha contra turismo sexual é tema de palestra em Seminário no Recife

Ação marca Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

Depois de levar o prêmio máximo de Responsabilidade Social em Turismo, iniciativa do Ministério do Turismo (MTur), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Childhood Brasil, a campanha contra o abuso sexual de crianças e adolescentes promovida pela ABIH-PE, Recife Convention e ONG Ciaf será tema de palestra durante Seminário Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes: Acreditar, Proteger e Responsabilizar.

O evento está marcado para o dia 19 de maio, das 8h às 13h, no Centro de Convenções de Pernambuco. A realização do Seminário marca o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, comemorado no dia 18 de maio. Na ocasião, o presidente da ABIH-PE e do Recife Convention, José Otávio de Meira Lins, relatará as experiências da campanha “Exploração Sexual de Crianças? Desculpe-nos, não temos este serviço! Por favor, não insista!”. De acordo com ele, já foram treinados mais de 500 funcionários de hotéis.

13 de mai. de 2008

/NOTÍCIA/ FSH reúne mercado de RH

Nesta quinta-feira (15/05), a partir das 8h, a Faculdade Santa Helena (FSH) reúne agências e empresas especializadas em Recursos Humanos para apresentar o FSH Carreiras.

O programa que visa desenvolver a capacidade empreendedora dos alunos, e orientá-los em relação aos procedimentos necessários para se tornarem profissionais qualificados, será detalhado para os participantes do encontro.

/ARTIGO/ A Educação Ambiental e Sustentabilidade

por Walber Gonçalves de Souza


Walber Gonçalves de Souza
Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade, pós-graduado em Ciências do Ambiente e professor titular do Centro Universitário de Caratinga – UNEC.


Para pensar em sustentabilidade, devemos primeiro pensar em uma Educação Ambiental voltada para a sustentabilidade.

Fazendo uma analogia aos escritos de Leonardo Boff (1998) em seu livro: “A águia e a galinha, uma metáfora da condição humana”, comparo a educação ambiental àquilo que ele retrata como sendo sistemas fechados e abertos.

Para Boff, existe uma estrutura básica que preside a todos os fenômenos, especialmente os vitais (aí não tem como deixar as questões ambientais de fora), que são: seu caráter fechado e, ao mesmo tempo, aberto.

“Na verdade tudo vem inserido dentro de sistemas de energias e de relações. Sistema significa um conjunto articulado de inter-retro-relacionamentos entre partes constituindo um todo orgânico. Ele é mais do que as próprias partes, um sistema dinâmico sempre buscando seu equilíbrio e se auto-regulando permanentemente. Todo sistema apresenta essas duas facetas: por um lado, é fechado e, por outro, aberto”.

“É fechado porque constitui uma realidade consistente, com sua relativa autonomia, dotado de uma lógica interna pela qual se auto-organiza e se auto-regula. É aberto porque se dimensiona para fora. Constituindo uma teia de interdependência com outros seres e com o meio circundante. Dando e recebendo. Trocando informações no seio de uma imensa solidariedade ecológica, terrenal e cósmica. Tudo está ligado à tudo”.

É possível percebermos na educação ambiental estas duas realidades, expostas por Boff. Ao mesmo tempo em que, a Educação Ambiental tem sua relativa autonomia e sua lógica de ser, ela dimensiona para fora. E só existe se houver a interdependência de tudo e de todos.

Para conferir a matéria na íntegra, acessar: http://www.revistasustentabilidade.com.br/

8 de mai. de 2008

/NOTÍCIA/ Mais perto do mercado do trabalho

A Faculdade Santa Helena (FSH) vai reunir agências e empresas especializadas em Recursos Humanos para apresentar o projeto FHS Carreiras.

O primeiro encontro acontece no próximo dia 15/5, na própria faculdade, às 8h. A proposta é detalhar o programa, que tem como objetivo desenvolver a capacidade empreendedora dos alunos, aumentando a competitividade profissional dos estudantes.


7 de mai. de 2008

/NOTÍCIA/ Competitividade na cabeça

Solução para empresas se manterem à frente passa pelo repertório de conhecimento de pessoas bem preparadas

Paulo Jebaili

Mas o que aconteceu no mundo para que a educação corporativa se tornasse item de primeira necessidade? Ainda que ventilado anteriormente, o conceito de educação corporativa ganhou impulso na década de 90, na esteira da globalização. As mudanças ocorridas nas esferas das relações comerciais e da tecnologia determinaram novos padrões de competitividade. Isso fez com que evaporasse qualquer noção de controle por parte das organizações.

"Na realidade anterior, um projeto de um automóvel, por exemplo, durava décadas, com pequenas mudanças ao longo desse período. Quanto tempo durou o Opala?", observa o consultor José Emídio Teixeira, da Dialogar. "Hoje, o tempo de vida útil de um automóvel deixou de ser contado em décadas e passou a ser contado em anos. Depois de 4 ou 5 anos, o público já está querendo outra coisa."

Nesse contexto, todo mundo teve de se mexer e a capacidade de apresentar respostas rápidas passou a ser vital para se manter no ringue da competitividade. A preparação passou a se dar por meio de pessoas bem preparadas, mobilizando o que têm de melhor em busca de soluções e novas idéias. "Os recursos físicos, materiais, tecnológicos hoje são acessíveis para praticamente qualquer empresa. O que passou a diferenciar as empresas, o elemento de competição foi o conhecimento e a gestão desse conhecimento", explica a professora e gestora da Universidade Anhembi Morumbi, Cristiane Alperstedt.

Os níveis acirrados de disputa pelo mercado exigiram novas formas de relacionamento com o cliente.
"O que eu produzo a fábrica do lado produz igualzinho", exemplifica a consultora Maria Inês Costa, da CB Center. "O sucesso é quando tenho novas idéias, soluções, enquanto o outro entrega commodities. É a lei da diferenciação das empresas. E a diferenciação está nas pessoas. Então, é preciso introduzir uma forma de vincular as pessoas ao cliente, ao negócio, ao mercado."

Na visão da consultora, essa demanda marca a passagem para a sociedade pós-industrial. "Era muito fácil avaliar as pessoas quando tinham de entregar uma coisa pronta, na sociedade industrial", comenta. "Na pós-industrial, analisar o comportamento das pessoas, remunerar, valorizar é muito mais difícil porque é um monte de gente tendo idéias e servindo o cliente cada vez de maneiras diferentes", compara.

Os níveis de competitividade passaram a ser muito mais determinados por sinapses do que por engrenagens. "A empresa não quer mais aqueles seres não-pensantes de antigamente, com auxiliares fazendo coisas operacionais, sem valor agregado. Hoje, o computador faz isso. É preciso ter pessoas bem preparadas para fazer análises, atendimento, saber lidar com a informação", observa Fábio Mandarano, gerente sênior da área de consultoria em Gestão de Capital Humano da Deloitte.

Se gente é importante, gente que cuida de gente, então, ganha status de VIP. Com a incumbência de buscar bons profissionais e criar as condições necessárias para que apresentem os resultados desejados, a área de recursos humanos chega a outro patamar. "RH passou a se alinhar com as outras áreas. Na medida em que fica definido que as pessoas são importantes e precisam ser cuidadas, decididamente a pessoa, a equipe ou a área responsável por elas ganhou força", constata Emídio.

O próprio profissional de RH teve de elevar seu nível de capacitação, sobretudo, para entender de negócio. E, no mínimo, para não vestir a carapuça do famigerado Paschoal, do departamento pessoal, citação freqüente em tom de galhofa nas palestras do meio. "O RH passou a olhar para sua participação na empresa não como alguém que está de fora e ajuda, mas alguém que está focado no negocio", diz Emídio. "O gestor de RH tem de olhar para esse fenômeno do seu trabalho como estratégico. E se questionar: 'De onde vou tirar as pessoas com a competência necessária para manter essa empresa na frente?'".

Longevidade

Competência passa a ser palavra-chave quando se fala da capacidade de profissionais e empresas se movimentarem num ambiente de tal complexidade. A definição mais corriqueira de competência é a soma de "conhecimento, habilidades e atitudes", atributos cujas iniciais formam a sigla CHA. Mais do que uma infusão, espera-se que as doses desse "chá", se corretamente administradas, funcionem como um elixir de longevidade.

O rito de passagem de RH para o rol das funções estratégicas, em muitos casos, não se deu sem momentos de dureza. "As áreas de RH tiveram de se envolver em projetos de downsizing, de reestruturação produtiva, coisas que pegam pelo outro lado, o de diminuir o denominador da empresa", relembra Emídio. "Muitas pessoas habituadas a trazer pessoas para a organização tiveram de encontrar uma forma correta de colocá-las de volta no mercado." É nessa época que o conceito de empregabilidade se torna um marco para quem quer manter-se desejável pelo mercado de trabalho. No que concerne à carreira, o diploma até então sinalizava estabilidade até a aposentadoria. Hoje é tão-somente uma pedra fundamental, a partir da qual se ergue uma obra para sempre inacabada. No âmbito das empresas, o que se resolvia com ações pontuais, para suprir deficiências, agora requer investimento permanente em capacitação. A noção de educação corporativa se difunde.

"As empresas descobriram que não era mais suficiente só o treinamento e desenvolvimento de seu pessoal. Os programas comuns no departamento de T&D eram meio reativos. Verificava-se uma necessidade e implementava-se um programa", conta Cristiane. "Percebeu-se a necessidade de se antecipar a esse tipo de coisa. Trazer o conhecimento para a empresa e desenvolvê-lo antes mesmo de ele ser necessário. Adquiriu-se um comportamento proativo", analisa.

Como desdobramento, as universidades corporativas proliferaram, numa demonstração de que as empresas estavam dispostas a tratar a educação de uma forma mais sistêmica, seja na realização de treinamentos (que continuam necessários), na elaboração de programas para atender às necessidades específicas ou na costura de parcerias com as instituições de ensino. "Os treinamentos nos últimos anos vêm sendo trabalhados no conceito de universidade corporativa, olhando a educação das pessoas da empresa não só em termos de treinamento operacional, mas preparando a cultura das pessoas, alinhando os valores, as crenças delas aos da empresa; são também treinamentos comportamentais, treinamentos de liderança", observa Mandarano, da Deloitte.

Pessoas aprendem, empresas, idem. E todos estão tendo de aprender a aprender, inclusive.


Capacitação em alta

Investir no desenvolvimento de pessoas é o primeiro item da pauta dos profissionais de RH. É o que mostra a pesquisa "Tendências em Recursos Humanos", da Deloitte, realizada em 2006 com 140 empresas de São Paulo, Rio de Janeiro e Região Sul. Quando perguntadas quais as áreas que terão crescimento no orçamento nos próximos dois anos, treinamento e desenvolvimento aparecem com a maior ocorrência (80%), seguidos de TI (33%) e comunicação interna (28%). Entre os pontos em que RH concentrava os maiores esforços, a opção "melhorar a capacitação da mão-de-obra com treinamento e desenvolvimento" aparece em segundo lugar com 51% das ocorrências, atrás de "ajudar a empresa e/ou outras áreas nos processos de mudança organizacional" com 56%.

Os maiores esforços da área de Recursos Humanos atualmente estão concentrados em:

Ajudar a empresa e/ou outras áreas nos processos de mudança organizacional 56%
Melhorar a capacitação da mão-de-obra com treinamento e desenvolvimento 51%
Implantar um novo modelo ou rever o atual sistema de remuneração 44%
Revisar e/ou melhorar o atual modelo de gestão de pessoas da empresa 41%
Implantar e/ou desenvolver soluções de TI aplicadas a RH 31%
Aprimorar os sistemas de comunicação na organização 26%
Implantar sistemas de Gestão de RH por habilidades e competências 23%
Implantar e/ou aprimorar programas de qualidade de vida 13%
Melhorar os sistemas relacionados a DP 13%
Reorganizar e/ou reestruturar a área de RH 13%

Fonte: Tendências de RH, Deloitte

As áreas de Recursos Humanos que terão aumento no orçamento nos próximos 2 anos:

Treinamento e Desenvolvimento 80%
Tecnologia da Informação 33%
Comunicação Interna 28%
Medicina do Trabalho, Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 28%
Remuneração 28%
Benefícios 10%
Recrutamento e Seleção 10%
Departamento Pessoal 5%

Fonte: Tendências de RH, Deloitte


Como surgiu o conceito de gestão de conhecimento?

O conceito de gestão de conhecimento começou a ser construído por Chris Argyris, que publicou "Organizational Learning", em 1978, em parceria com Donald Schon. Outras obras subseqüentes do autor trataram do mesmo assunto. Mas foi Peter Senge quem difundiu o tema de aprendizagem organizacional na década de 1990, quando publicou "A Quinta Disciplina". A aprendizagem organizacional evidenciou que as empresas aprendem, ao possibilitar a interação entre competências individuais, organizacionais e estratégias da empresa e, sobretudo, que acumulam esse aprendizado. Foram Nonaka e Takeuchi, em 1995, que exploraram a gestão do conhecimento como tentativa de tornar explícito o conhecimento acumulado. Esse é o conceito que eu adoto.

Profª Cristiane Alperstedt, Universidade Anhembi Morumbi


Fonte: Revista Ensino Superior - UOL

6 de mai. de 2008

/NOTÍCIA/ Em dia com a notícia

Para manter os estudantes sempre atualizados, a Faculdade Santa Helena (FSH) implantou um novo sistema automático que envia gratuitamente as notícias postadas no FSH Blognews para o e-mail pessoal dos estudantes cadastrados. Quem quiser aderir, basta cadastrar o endereço eletrônico no link Notícias no seu e-mail.

Qualquer dúvida em relação ao registro dos dados, basta entrar em contato com a equipe da FSH por meio do fale conosco ou pelo email
fsh@fsh.edu.br.

/NOTÍCIA/ A difícil vida universitária

O graduando brasileiro é mais velho do que a faixa etária ideal e se divide entre o estudo e o trabalho. A dificuldade de abranger classes sociais mais baixas também é sentida por outros países.

O perfil do alunado que chega ao ensino superior no Brasil ainda reflete a demanda reprimida que o país não foi capaz de atender durante alguns anos. O estudante universitário brasileiro é mais velho que a faixa etária ideal de 18 a 24 anos, trabalha e tem renda familiar mensal de até dez salários mínimos.

Segundo dados do Inep, o aumento de 61,9% no número de ingressos entre 2000 e 2006 se deveu, principalmente, à faixa etária dos 25 aos 29 anos. No ano 2000, eles representavam 15,9% dos novos estudantes. Em 2006 eram 18,7% do total. Os ingressantes da considerada faixa adulta, acima dos 25 anos, passaram de 35,81% no ano 2000 para 39,73% em 2006.

Para o coordenador adjunto da Comissão de Vestibulares da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Renato Pedrosa, a tendência deve se manter por pelo menos dez anos. "Essa mudança tem um pouco a ver com o crescimento registrado desde a década de 90. Tanto o setor privado quanto o público cresceram. A outra questão é de ordem socioeconômica. A maioria dos alunos primeiro trabalha para depois procurar o ensino superior."

Se retardam a entrada no sistema porque foram para o mercado de trabalho, quando voltam a estudar, os novos alunos não largam o emprego. O questionário socioeconômico realizado pelo Inep durante a aplicação do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) revela que 53,7% tanto dos que entram como dos que concluem o ensino superior trabalham ou já trabalharam em tempo integral. Em 2004, esse índice era de 25%.

O aumento da participação da rede privada no setor também influencia o perfil dos alunos que chegam à graduação. Em 1997, das 1.945.615 matrículas, 60,98% estavam na rede particular. Dez anos depois, esse índice subiu para 74,14%. Alunos das instituições públicas e particulares têm perfis distintos.

Segundo o Censo 2006, 63% dos alunos das públicas estudam durante o dia e freqüentam a instituição em alguma capital do país. Nas particulares, 69,2% estudam à noite e a maior parte das matrículas está em cidades do interior, assim como no caso das instituições municipais. O único tipo de instituição que mantém predominância de matrículas na capital são as federais, com 67% dos alunos em grandes cidades.

Do total de alunos, 53,6% estudam em universidades, seguidos por 30,8% em faculdades integradas e 15,6% em centros universitários.

A predominância das mulheres se dá em todo o sistema. Elas respondiam por 55,7% das matrículas em 2006, sendo que nas instituições particulares a participação é mais acentuada (56%).

O estudo Os Determinantes da Frequência à Rede Particular de Ensino e dos Gastos com Educação no Brasil, realizado pelo professor e pesquisador do Ibmec-São Paulo, Naércio Menezes, e por Andréa Zaitune demonstra que a rede pública de ensino superior continua a agregar as classes mais altas. Além da renda, ele também levou em consideração o nível educacional da mãe do aluno, indicador utilizado em levantamentos internacionais.

A conclusão é que 56,91% das mães de alunos do ensino superior na rede pública possuem mais de nove anos de estudo e 87,13% das famílias estão na classe C ou acima. "Os alunos mais educados e mais ricos estão nas federais. Mas eles também estão nas particulares. Só que eles estão espalhados, não vão para as mesmas instituições", diz Naércio.

O pesquisador ressalta que essa dispersão se dá em todo o sistema educacional de nível superior brasileiro, que apresenta menos dicotomia de classes do que os níveis anteriores. "A renda é o principal ponto para a escolha do setor privado no ensino básico. No ensino superior não é tão importante", diz.

O movimento de "deselitização" do ensino superior pode ser percebido pela média de respostas entre ingressantes e concluintes do Enade. Segundo o questionário, o número de alunos com renda familiar mensal de até dez salários mínimos representava 69,5% do total em 2004. Em 2006, esse índice era de 73,1%.

Apesar de mais democrático, o ensino superior brasileiro ainda não conseguiu atingir de maneira significativa as classes C e D. Dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelam que a dificuldade de classes sociais mais baixas atingirem o ensino superior é um problema comum em diversos países.

Ao medir a situação socioeconômica de estudantes em níveis de educação mais altos de acordo com os antecedentes educacionais de seus pais, o estudo apontou que na Alemanha, Áustria, França, Portugal e Reino Unido os filhos de pais que alcançaram os níveis educacionais mais altos têm uma probabilidade no mínimo duas vezes maior de alcançar esse nível do que os pares que não têm o mesmo perfil familiar. A Irlanda e a Espanha destacaram-se como provedores do acesso mais equitativo à educação superior.

Grifo nosso

39,73% dos alunos que entram no ensino superior têm mais de 25 anos

53,6% estudam em universidades

As mulheres passaram a frente dos homens no en-sino superior. 55,7% do total de etudantes é do sexo feminino

Os universitários trabalham cada vez mais. Em 2004, 25% declararam trabalhar ou já ter trabalhado em tempo integral. Em 2006 esse índice era de 53,7%

87% das famílias dos alunos das instituições públicas estão na classe C ou acima

A renda familiar mensal de 73% dos estudantes do ensino superior não ultrapassa dez salários mínimos. Em 2004, o índice era de 69,5%

No ensino a distância, 39% trabalham e ajudam a sustentar a família e 43% têm renda familiar de até três salários mínimos


Tecnólogos na contramão

Os cursos de tecnologia, que sempre receberam estudantes mais velhos, começam a passar pelo movimento inverso: conseguem atrair cada vez mais alunos da faixa etária de 18 a 24 anos, que acabaram de sair do ensino médio. "O crescimento do setor já está baseado na faixa etária ideal. Estamos chegando cada vez mais perto desse índice", comemora Fernando Leme do Prado, presidente da Associação Nacional dos Engenheiros Técnicos (Anet).

Por outro lado, o ensino a distância continua a ser uma das modalidades que mais absorvem alunos que voltaram a estudar alguns anos após a conclusão do ensino médio. De acordo com o Censo 2006, a idade média dos estudantes de EAD é de pelo menos dois anos a mais do que na presencial, podendo chegar a uma diferença média de até seis anos para alguns cursos.

A maioria dos alunos de ensino a distância é casada (52%), tem dois ou mais filhos (44%), mora com a esposa e filhos (61%), tem renda familiar de até três salários mínimos (43%), trabalha ou já trabalhou em tempo integral (61%) e cursou todo o ensino médio em escola pública (67%).


Fonte: Revista Ensino Superior - UOL

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